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PATIPU E VUVU
Em Pesquisa no Centro Cultural Vergueiro de São Paulo para descobrir o que mais era possível encontrar sobre o instrumento cuíca me deparei com uma obra espetacular sobre nossa cultura que deve ser consultada por todos. Em Dicionário Musical Brasileiro de Mário de Andrade, obra co-editada com a Editora Universidade de São Paulo, define-se como sendo cuíca um instrumento de percussão, tambor de fricção de origem africana; "consta de um cilindro oco, tendo por tímpano uma pele esticada, ao meio da qual, pela parte interna se prende uma haste de pau ou fita de couro, que, friccionando-se com a mão molhada produz um som ronco".
Entre os instrumentos que os napolitanos empregam para acompanhar a tarantela, há um de construção idêntica à cuíca de ronco. A única diferença é que o pau preso ao couro, o qual se esfrega a mão ou pano molhado, em vez de colocado na parte interna do cilindro esvaziado, está na parte de fora, servindo pois a parte vazia do cilindro unicamente de caixa de ressonância. É conhecido pelo nome de putipu e caravela (grifo meu).
Putipu, conforme define Mário de Andrade, é substantivo masculino. É a voz napolitana, designando um instrumento de construção exatamente ao da nossa puíta (grifo meu), só que com a haste de madeira para fora e não para dentro. Aparecem nas festas de Piedigrotta; é usado no acompanhamento das tarantelas, conforme informação de vários napolitanos.
Cuíca, ensina Mário de Andrade, é o nome mais usado no Brasil para designar esse tipo de tambor que recebe outras denominações regionais: roncador, socador, fungador e tambor de onça (Maranhão), onça (Norte), adufe ou adufo (Alagoas) além de puíta, piúta, poita, ronca, vu e vuvu.
Vuvu (grifo meu), por sua vez, é substantivo masculino. Trata-se de um instrumento afro-brasileiro de percussão. Também conhecido como vu. É a cuíca descrita por Jaime Altavilla: "Os vuvus eram gritos roucos de lascivas em meio de jungla escaldante (...). Puíta no extremo norte (Amazonas) é masculino e trissílabo grave: "cantam ao som do puíta. "Adotando o gênero masculino, Mário de Andrade comenta: "Bem empregado num caruru sambista (disco victor 33263) embora o disco mal gravado, vale a pena."
Autor: Claudinei Catarino - S.P