ARTOC - A Bateria

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A Bateria

 

Instrumentos Básicos da Bateria

Os instrumentos básicos da bateria são:
1) Instrumentos pesados:
    · Surdos de marcação, Surdos de repinicar (repinique),
    · Surdos de terceira ou centralizadores, Caixas de guerra
    · Taróis

2) Instrumentos leves
    · Tamborins, Pandeiros, Tacos, Cuícas, Pratos, Chocalhos
    · Frigideiras, Agogôs, Liras, Reco-Reco

 

O Mestre de Bateria

O mestre de bateria, também chamado de "1º Diretor de Bateria", é o "maestro", o "chefe do conjunto". Deve possuir qualidades como saber bater todos os instrumentos de percussão; conhecer a técnica de encourar as peças; ter bom ouvido para perceber atravessamentos eventuais; criar sinais para os comandos dos ritmistas ( o apito e o bastão são os meios mais usados nesse sentido), ter autodomínio e impor respeito.
...A direção geral da bateria é formada por um diretor-chefe e três diretores auxiliares. Esse número pode aumentar até seis.
Cabe aos diretores: Zelar pela conservação dos instrumentos de percussão, manter o ritmo da escola, criar normas disciplinares, afinar os instrumentos, principalmente os surdos de 1ª, 2ª e 3ª.

 

Os Instrumentistas

Os instrumentistas, também chamados de "batuqueiros", são os sambistas que tocam os instrumentos de percussão.

 

Funções dos Instrumentos

Os instrumentos de percussão vêm agrupados nas baterias e são distribuídos de acordo com com a determinação do primeiro diretor. Há uma regra, que em geral todos observam: os instrumentos pesados não se misturam aos instrumentos leves. Os instrumentos pesados vêm atrás , e os leves na frente das baterias.

 

Distribuição e Atuação dos Instrumentos

Segundo o maestro Milton Manhães, músico, arranjador, componente da da bateria do G.R.E.S. Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense: "os surdos de marcação constituem-se essência do conjunto de percussão do samba dentro de sua escala de batida binária. Eles são de tres tipos: o surdo de primeira (primeira batida) e mais grave, como o dó do contrabaixo; o de segunda (também chamado surdo de resposta), exerce o papel de do violoncelo numa sinfônica. Ele é menos gravee tem afinação do lá ou si do contrabaixo. O surdo de terceira bate intermediando os os dois primeiros. Daí ser chamado de cortador ou surdo de corte. Sua similitude sinfônica seria o tímpano. A afinação, ainda tomando por base o contrabaixo, é em fá"....
Os surdos de repique ou de repinique (menores) produzem variados desenhos rítmicos, e os taróis e caixas de guerra fazem o "contrabalanço". As miudezas (instrumentos leves) incrementam o ritmo.

 

O Rítmo

Desde a vida intra-uterina o ser humano convive com o ritmo: o de seu próprio coração, mais acelerado, e o de sua mãe, mais lento. Artur da Távola escreve: "o ‘ritmo’ é, pois, a mais primitiva das experiências sensoriais. Por isso, ele nos acompanha vida afora e é uma constatação da própria vitalidade, pois quando cessa é porque chegou o fim da vida." ... O samba herdou a síncopa em suas raízes africanas.

 

Os Instrumentos de Percussão

Sempre pulsando, no compasso binário (2/4), a bateria de uma escola de samba é uma verdadeira orquestra formada exclusivamente por instrumentos de percussão.
A bateria não é apenas a reunião de diversos tipos de instrumentos de percussão, mas a distribuição de grupos de peças "encouradas" cujas batidas uníssonas, de sons graves e agudos, dão um desenho todo especial ao ritmo, conferindo características próprias aos conjuntos.
A princípio, os instrumentos da bateria eram pobres e simples, emulações de peças africanas, herdadas de escravos, fabricados por artesãos das próprias localidades. As peles (couros) eram retiradas de gatos sacrificados e, após a "secagem" e "estiramento", eram pregadas com tachinhas e pregos em barricas e quadrados de madeira. Quando as peças ficavam prontas, a afinação eram feitas esquentando-as em fogueira de jornais velhos. Os sons naturalmente não eram bons. Na década de trinta, a Vizinha Faladeira, Escola de Samba rica, encomendou barricas francesas para confeccionar seus surdos. Com o correr do tempo, o metal substituiu a madeira. A fabricação foi industrializada.
J. Muniz esclarece: "foi assim que os surdos de barricas ou de madeira compensada cederam seu lugar aos tambores das bandas, juntamente com os bumbos, caixas de guerra e taróis cromados. Os tamborins, outrora, tinham o formato de á; já foram também quadrados, sextavados e oitavados (feitos de madeira com a pele pregada). Mais tarde foram substituídos por outros, com formato redondo, metalizados e com tarraxas. Também os pandeiros passaram pela mesma transformação dos tamborins, e hoje são inclusive utilizados como instrumentos de malabarismo. Indispensável em toda roda de samba, a velha cuíca de barrica foi igualmente aposentada, sendo substituída por cilindros metálicos, cintilantes, dourados ou prateados, onde os cuiqueiros arrancam sons dos mais variados e onde algusn se dão ao luxo de executar até solos musicais. E o reco-reco, que era de bambu ou de chifres de animais, acabou sendo trocado por uma caixa de metal, com uma mola esticada, que produz som bastante estridente."
Cabaças com redes de contas, chocalhos metálicos, agogô (que os negros iorubás trouxeram), caixas e taróis, usados nos cordões e ranchos são reminiscências dos instrumentos de percussão....

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